BOLETIM DE INTERVENÇÃO POLÍTICA, SOCIAL E CULTURAL DA CIDADE DE LORDELO

Publicação da Organização da Freguesia de Lordelo do Partido Comunista Português

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Desindustrialização e memória

Desindustrialização? Palavra difícil. Palavra concreta. Palavra perigosa. Até muito recentemente, só pronunciada por certas margens do espectro partidário, nomeadamente pelos comunistas. Em textos, intervenções, programas.

Desindustrialização, desinvestimento na indústria, fecho ou redução de actividade de sectores industriais. A indústria naval, a metalomecânica ligeira e pesada, a indústria de material circulante ferroviário, rodoviário e agrícola.
Desindustrialização. Agora na boca da Universidade Católica, da Associação Comercial do Porto e do JN, na 2.ª Reunião do seu Think Tank . Pela boca de Pires Lima (Presidente da Unicer), de Jorge Marrão (Director da Deloitte), de Luís Portela (da Bial), de outros.
Desindustrialização. A indústria nacional perdeu metade do peso no PIB nos últimos 20 anos. O peso das exportações no PIB em países da nossa dimensão é muito superior e evoluiu para o dobro em 25 anos, ao contrário de nós que ficamos na mesma. Apostamos em infraestruturas, construção e imobiliário (66% do investimento publico e privado nos últimos 15 anos) e no turismo. Apostamos em serviços. A agricultura mereceu em 15 anos apenas 1% do investimento nacional, público e privado. A indústria, 22 a 25%. Somos o 3.º país do mundo que menos cresceu neste século. As grandes empresas em Portugal são de sectores regulados, pouco sujeitos á concorrência internacional e que pouco investem em I&D.
Desindustrialização. Agora que o vendaval sopra, trancas á porta. Durante muito tempo, a agricultura era para acabar, e faltavam as condições para o desenvolvimento industrial. Dito pelos mesmos. O que era importante era o sector terciário, os serviços, nomeadamente os financeiros.
Desindustrialização. Alguém diz: a ideia de voltarmos á indústria é relativamente perigosa. A nossa desindustrialização foi incentivada pelos países do Norte da Europa. Ah! Foi o “comunista” representante da Deloitte. Faltou acrescentar: com a cumplicidade criminosa de políticos locais: Soares, Sampaio, Cavaco, Santana, Guterres, Durão, Sócrates, Coelho. E outros. E outras entidades.

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