BOLETIM DE INTERVENÇÃO POLÍTICA, SOCIAL E CULTURAL DA CIDADE DE LORDELO

Publicação da Organização da Freguesia de Lordelo do Partido Comunista Português

terça-feira, 21 de agosto de 2012

O flop de uma tenda no deserto

A construção da dita Cidade Inteligente de Paredes foi adiada, noticiam jornais. Ou se quiserem alguns, foi suspensa a ilusão, o que é o mesmo. Faltaram, diz-se, 500 milhões de euros iniciais, para um total de 10 mil milhões de euros de propósito de investimento. Os prometidos 20.000 postos de trabalho, para as futuramente sediadas dez mil empresas (uma média de 2 empregos por empresa!) foram sacrificados pela crise de crédito. Houvera capital e o senhor Lewis, o CEO da PlanIT Valley, vogaria pelas ondas do sucesso sem alternativa. Afirmam (e acreditam) alguns. Assim resta esperar.
É interessante contudo ver as implicações da frustração criada. Há quem sublinhe agora com aparente veracidade indesmentível que a iniciativa era totalmente privada, embora com o apoio do governo e da autarquia de Paredes. Isto comprova-se ser falso.
Houve um executivo camarário totalmente “arregimentado” a uma fantasia, a um castelo de areia, com a sua participação directa em projectos, em iniciativas de divulgação e publicidade, em trabalho de campo, em apoio logístico, em presença inclusive no estrangeiro. O dossier Cidade Inteligente era importantíssimo para o PSD de Paredes. Gastou-se certamente muitos milhares e milhares de euros de recursos públicos. Inutilmente. Utilizaram-se bastantes funcionários camarários em serviços de apoio. Irregularmente. Procurou essa autarquia obter o beneplácito de governos, ora do PS, ora do PSD. Mas o que conseguiu foi um provisório estatuto PIN e a presença folclórica e descomprometida de governantes em cocktails e reuniões de trabalho.
Agora a montanha pariu um rato. O senhor Lewis e uma equipa de lunáticos que o rodeia levantaram a tenda. Abandonaram o hotel, prometendo um dia, quem sabe, voltar para colher de novo a hospitalidade portuguesa. Aliviaram-se dos seus trabalhadores, não pagando dívidas em atraso. O autarca de Paredes, descomprometido, deixa a porta entreaberta para futuras investidas do senhor Lewis e do seu sócio português. Houve muito tecnocrata, muito ideólogo do primado do privado, muito liberal - intervencionista, que abriu a boca de espanto e êxtase perante a modernidade dos ventos paredenses. É chegada a hora da contrição. Afinal era só vento do deserto. E os camelos, coitados, já não acreditam no PSD.

Cristiano Ribeiro

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